Alegoria e Símbolo

Olá pessoal!

Há algum tempo que venho alimentado profundo interesse por alegorias e uma das melhores leituras acerca do assunto que fiz foi o livro do C. S. Lewis chamado Alegoria do amor. Nele, antes de começar a tratar dos textos medievais que falavam do amor cortês, Lewis descreve como o amor era visto na Idade Média e, claro, o que significa alegoria. O interessante é que ele estabelece ainda uma relação entre a alegoria e o símbolo que, embora possam soar semelhantes, são muito diferentes um do outro.

Neste meu pequeno artigo quero somente comentar algumas coisas sobre as diferenças entre símbolo e alegoria justamente para tentar tornar clara a distinção entre uma e outra coisa. Afinal, vivemos em uma época alheia a alegorias, mas fanática por símbolos: podemos entender com facilidade uma, mas não compreender absolutamente nada da outra.

Temos que considerar a princípio que existem duas formas de realizar algum tipo de equivalência entre o material e o imaterial.

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Tradução: George MacDonald #4

Olá pessoal!

Quarto trecho selecionado da enorme obra de George MacDonald por C. S. Lewis!

George MacDonald (1860)
George MacDonald (1860)

4 – O início da sabedoria

“Como poderiam os hebreus estar de outra forma que não aterrorizados diante daquilo que era oposto a tudo que eles conheciam de si próprios, seres que julgavam bom honrar um bezerro dourado? Por serem assim, fizeram bem em estar com medo. (…) O temor é mais nobre que a sensualidade. O temor é melhor do que nenhum Deus, melhor do que um deus feito com mãos. (…) A adoração em temor é verdadeira, ainda que muito baixa: e ainda que não seja aceitável a Deus em si mesma (pois apenas a adoração em espírito e em verdade é aceitável a Ele), ainda assim é preciosa a Seu olhar. Pois Ele vê os homens não como eles meramente são, mas como eles devem ser; não como eles meramente devem ser, mas como eles agora estão amadurecendo, ou capazes de amadurecer, em direção àquela imagem a partir da qual Ele os fez para que rumo a ela possam amadurecer. Portanto, milhares de estágios, cada um em si mesmo sendo tudo exceto sem valor, são de inestimável valor como as gradações necessárias e conectadas de um progresso infinito. Uma condição tal como um desvio indicaria um diabo, mas pode, no amadurecimento, indicar um santo.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The Consuming Fire)

Tradução: George MacDonald #3

Olá pessoal!

Terceiro excerto do George MacDonald saindo do forno! É uma continuação direta do que ele trata no anterior. Talvez ler ambos em sequência ajude na compreensão de suas noções  básicas com relação ao amor, à pureza e à ideia de Deus como fogo consumidor.

George MacDonald (1860)
George MacDonald (1860)

3 – O queimar divino

“Ele vai sacudir céus e terra e apenas os que não puderem ser sacudidos podem permanecer: ele é um fogo consumidor e apenas aquilo que não pode ser consumido pode permanecer continuamente eterno. É a natureza de Deus, tão terrivelmente pura, que destrói o que não é puro como fogo; o que demanda esse tipo de pureza em nossa adoração. Ele terá pureza. Não é que o fogo nos queimará se nós não adorarmos desta maneira; sim, mas também continuará queimando dentro de nós depois que tudo que for estranho a ele tenha se rendido à Sua força, não mais com dor e exaustão, mas como a mais alta consciência de vida, a presença de Deus.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The Consuming Fire)

Tradução: George MacDonald #2

Olá pessoal!

Antes tarde do que nunca, não é verdade? Tive problemas com a internet hoje ao longo de todo o dia, mas, por algum milagre, ela voltou a funcionar ainda hoje. Portanto, segue a tradução do segundo excerto selecionado por C. S. Lewis da obra do grande escritor escocês George MacDonald!

George MacDonald (1860)
George MacDonald (1860)

2 – Amor inexorável

“Nada é inexorável, exceto o amor. O amor que precederá a oração é imperfeito e pobre. E nem é o amor que a precede, mas sua impureza. (…) Pois o amor ama rumo à pureza. O amor tem sempre em vista a absoluta amabilidade daquilo a que olha. Onde a amabilidade é incompleta e o amor não pode amar seu suprimento de amor, ele consome a si mesmo para criar amavelmente, para que possa amar mais; ele luta por perfeição, ainda que em si mesmo possa ser aperfeiçoado – não em si mesmo, mas no objeto. (…) Logo tudo que não é belo no amado, tudo que surge nesse ínterim e não é da natureza do amor, deve ser destruído. E nosso Deus é um fogo consumidor.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The Consuming Fire)

Tradução: George MacDonald #1

Olá pessoal!

Essa série de postagens é baseada na seleção de 365 excertos de obras diferentes do escritor escocês George MacDonald (1824-1905) feita por C. S. Lewis. Pretendo postar uma tradução de cada um deles e, ao final, traduzir o prefácio redigido pelo próprio autor das Crônicas de Nárnia e da Trilogia Cósmica.

Vale o aviso de que Lewis o percebia como um grande mestre, de maneira análoga à maneira com que Dante via Virgílio. E, por isso, não é à toa que George MacDonald aparece como guia de um visitante do Paraíso em sua obra O Grande Abismo e também o fato de boa parte dessas citações serem de cunho religioso.

Justamente por estas razões que acredito ser útil esse meu singelo esforço. Afinal, há poucas obras deste escocês traduzidas ao português e, dentre estas, não há uma sequer preocupada com seus ensaios ou famosos “sermões não proferidos“. Tentarei evitar fazer comentários sobre cada citação, exceto quando for realmente necessário; se alguma reflexão me for suscitada pelas leituras, optarei por fazer divagações em um artigo separado para não poluir demais essa jornada em específico.

Escolhi ainda por manter as referências às obras em seus títulos originais indicando também, se houver, alguma edição em português. Contudo, sem mais delongas, vamos para o primeiro trecho!

George MacDonald (1860)
George MacDonald (1860)

1 – Sequidão

“O homem perfeito na fé é aquele que pode chegar a Deus em total escassez de seus sentimentos e desejos, sem ardor ou ambição, com o peso da humildade, falhas, negligências e errantes esquecimentos e dizer a Ele: ‘Tu és meu refúgio’.”

(Unspoken Sermons – The Child in the Mist)

Resenha: Além do Planeta Silencioso – C. S. Lewis

Olá pessoal!

Admito que foi um pouco difícil definir qual releitura minha seria a escolhida para iniciar este espaço. Afinal, embora goste de muitas obras diferentes, considerei iniciar com algum autor que tivesse sido de fundamental importância em minha formação como escritor e, por que não, como pessoa. E, dentre todos os que enquadro nesta categoria, sem sombra de dúvida Clive Staples Lewis (1898-1963) tem posição de destaque.

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Apresentação

Olá pessoal!

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Sei que postagens de introdução costumam ser muito chatas e monótonas, mas farei o possível para que esta não seja. Provavelmente não terei sucesso, mas tentar é sempre importante e espero que valorizem o esforço pelo menos.

Não falarei muito sobre mim já que, para isso, podem clicar na seção “sobre” mais acima e ler algumas informações a respeito da minha pessoa caso ainda não me conheçam.

Bem, a proposta desse blog nada pretensioso (como já podem notar pelo próprio layout dele) é tratar de literatura em duas perspectivas diferentes: como leitor e como escritor.

Como leitor, trarei aqui resenhas sobre obras que estou lendo no momento (tentando intercalar sempre que possível uma releitura com uma leitura inédita), traduções de textos que acho importantes e aos quais muitos brasileiros não têm acesso pelo idioma, apresentações breves e em linguagem simples de trabalhos acadêmicos sobre assuntos literários.

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E, como escritor, usarei esse espaço para divulgação de textos literários próprios. Principalmente alguns contos (pelo seu tamanho, claro), as poesias que escrevo para brincar com as palavras de vez em quando e ensaios sobre assuntos pertinentes à literatura.

Não criarei a princípio nenhuma coluna fixa. Farei isso com o tempo se for necessário. Por enquanto unirei em categorias únicas os textos de teor similar.

Espero que possam aproveitar ao menos um pouco aquilo que trarei aqui para lermos, pensarmos e dialogarmos.

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Até o próximo post!