Tradução: George MacDonald #26

Olá pessoal

Esse trecho foi tranquilo de traduzir, mas ele exigiu algumas alterações em sua estrutura para nossos padrões em portuguêsGeorge MacDonald não utiliza aspas nas falas do Pai e do Filho nas duas primeiras frases do texto: eu as inseri porque é a maneira com que inserimos falas de terceiros sem utilizarmos um novo parágrafo e travessão.

Fiat” é uma palavra latina e significa: “faça-se“. Ela é mais conhecida pela expressão pelo versículo 3 do primeiro capítulo do livro do Gênesis que diz, na Vulgata, “dixitque Deus fiat lux et facta est lux”. Traduzido ao português ficaria algo como: “E disse Deus, faça-se a luz, e a luz foi feita”. De modo que a expressão que George MacDonald usa no texto (“creative Fiat“) chega a ser uma redundância inclusive. De qualquer maneira, optei por traduzir “creative” por “criador” e não “criativo” porque nem todos que hoje leem a palavra “criativo” entendem-na nessa relação direta com a criação divina. Não houve nenhum prejuízo de sentido, porém, nessa escolha feita.

Inseri também, entre colchetes, a palavra “mesmo” para fazer sentido com a preposição “of” do original já que sem a palavra que acrescentei poderia haver a interpretação errônea de que essas duas pessoas da Trindade são derivadas de um outro espírito.

Modifiquei o “feeding” para o nome do milagre a que faz referência em português: “multiplicação [de pão e peixe]“. Falamos aqui do “milagre da multiplicação“; inseri o “pão e peixe” entre colchetes para que ficasse claro de que multiplicação falava já que não há menção a isso nas frases anteriores do trecho, apenas na que se segue.

Mansão de Cowper-Temple em broadlands onde George MacDonald lecionou.
Mansão de Cowper-Temple em Broadlands onde George MacDonald lecionou.

26 – Mande que estas pedras se transformem em pães

“O Pai disse ‘isso é uma pedra’. O Filho não diria ‘isso é um pão’. Nenhum fiat criador deve contradizer o outro. O Pai e o Filho são de um [mesmo] espírito. O Senhor poderia estar faminto, poderia morrer de fome, mas não transformaria em outra coisa o que Seu Pai tinha feito uma coisa. Não houve tal mudança na multiplicação [de pão e peixe] às multidões. O peixe e o pão eram peixe e pão antes. (…) Havia nesses milagres, e penso que em todos, apenas um apressar de aparências: fazer aquilo em um dia, o que pode usualmente levar milhares de anos, pois com Deus o tempo não é o que é conosco. Ele o faz. (…) Nem isso torna o processo um bocado mais miraculoso. Decerto, a maravilha do crescimento do milho é para mim maior que a maravilha da multiplicação aos milhares. É mais fácil entender o poder criador seguindo adiante de uma vez – imediatamente – do que através de incontáveis, amáveis, e aparentemente esquecidas maravilhas do milharal.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The temptation in the wilderness)

Tradução: George MacDonald #25

Olá pessoal!

O excerto que trago hoje demandou um certo tempo para ser concluído apesar de seu tamanho pequeno. As palavras que escolhi tiveram que ser pensadas cautelosamente para que o sentido pudesse ser mantido. Ainda assim, acredito que será importante que eu descreva o que George MacDonald quis dizer nestas linhas.

Mesmo que o texto bíblico, ou nas vezes em que recontamos suas histórias, não seja um registro exato como uma gravação em vídeo ou áudio das palavras de Jesus, ele ainda revela a mesma verdade do evento propriamente dito que ocorreu historicamente. A quantidade de informação que recebemos é o suficiente para que recebamos a mensagem e creiamos nela ou não. O autor até mesmo sugere que essa própria característica de mutabilidade na comunicação humana teria sido prevista e que a revelação de Deus, em certa medida, depende disso para se manifestar.

George MacDonald e escritores de sua época
George MacDonald e escritores de sua época

25 – Sagradas Escrituras

“Esta história pode não ser exatamente como o Senhor contou, e ainda assim pode conter em seu espelho a mesma quantidade de verdade que somos capazes de receber e que nos provê escopo para uma descoberta vital. A influência modificadora dos canais [de comunicação] humanos pode ser essencial ao modo de revelação de Deus.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The temptation in the wilderness)

Decisão pela promessa

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Escrito por Thiago de Paula Cruz

Ai… Ai… Ai…

Não está sendo uma semana muito fácil… Estou aqui colocando alguns garranchos no papel para ver se consigo pôr alguma ordem em meus pensamentos. Mas garranchos MESMO… Acho que nunca escrevi tão rápido e sem qualquer zelo com a forma de cada letra em particular… Nem estou olhando direito para o papel… Tenho medo de me assombrar com tal desleixo e abandonar essa tentativa meio desesperada e desesperadora… Continuar lendo

Tradução: George MacDonald #24

Olá pessoal!

Esse trecho é o último selecionado por C. S. Lewis do sermão não proferido de George MacDonald chamado “The heart with the treasure“. A única intervenção que fiz foi a inclusão de um “e” para tornar o sentido de uma frase um pouco mais clara.

A imagem de hoje é simples: trata-se de uma edição aberta do Unspoken Sermons.

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24 – Várias espécies de traça

“Nem a lição se aplica somente àqueles que adoram Mamom. (…) Ela se aplica àqueles que igualmente de algum modo adoram o transitório; que procuram o louvor dos homens mais do que o louvor de Deus; que fariam uma exibição no mundo por riqueza, por gosto, por intelecto, por poder, por arte, por gênios de qualquer tipo, e então reuniria opiniões célebres para serem guardadas a salvo no armazém da terra. Não apenas a estes, mas certamente também àqueles cujos prazeres ainda são de uma natureza ainda mais evidentemente transitória, tais como os prazeres dos sentidos em qualquer direção – mesmo que legalmente satisfeitos [e] se a alegria do ser está centrado neles – de fato estas palavras carregam terrível aviso. Pois a ferida não reside nisto – em que esses prazeres sejam falsos como as ilusões de mágica, pois tais eles não são; (…) nem ainda nisto – em que eles passam e deixam um violento desapontamento para trás; isso seria ainda melhor sucedido; mas a ferida reside nisso – que o imortal, o infinito, criado à imagem do eterno Deus está guardado com o declínio e o corruptível, e une-se a eles como seu bem – adere a eles até que estejam infectados e interpenetrados com suas próprias doenças, as quais assumem nele uma forma mais terrível em proporção à superioridade de sua espécie.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The heart with the treasure)

Tradução: George MacDonald #23

Olá pessoal!

Esse excerto é muito interessante: a imagem que George MacDonald traz de um coração enganado e perdido em cavernas e névoas (ou véus) é muito viva e embeleza poeticamente esse trecho. Mas destacaria também o grifo sutil e pertinente que utiliza em sua última frase. Ele o faz para enfatizar que não veremos nosso próprio ser como vemos as coisas no mundo ao nosso redor, mas sim que o sentiremos como sendo aquilo que de fato somos: sentiremos a nós mesmos da mesma maneira com que Deus nos vê. Isso fez com que eu me lembrasse de um grupo de power metal chamado Theocracy que possui uma faixa (longa) chamada “Mirror of Souls” que trata justamente desse encontro do homem com aquilo que ele realmente é. Compartilho o link para a música logo abaixo que possui tanto a letra em inglês como uma tradução em português.

Dos elementos técnicos da tradução, gostaria de destacar que achei interessante o fato da palavra “film” em inglês poder significar também névoa. Foi a única palavra dessas linhas que demandou uma pesquisa um pouco mais cuidadosa e, sem dúvida, esse aspecto enriqueceu ainda mais a figura usada pelo autor.

A imagem escolhida hoje é uma ilustração do navio que George MacDonald utilizou para chegar aos Estados Unidos em uma turnê que fez pelo país durante os meses de inverno de 1872-1873 . Ele naufragou em 1889 na costa da Inglaterra.

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23 – Cavernas e névoas

“Se Deus vê aquele coração corroído com a ferrugem das preocupações, enredado para cavernas e névoas pelos vermes da ambição e cobiça, então seu coração é como Deus o vê, pois Deus vê as coisas como elas são. E um dia você será compelido a ver, não, a sentir seu coração como Deus o vê”.

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The heart with the treasure)

Tradução: George MacDonald #22

Olá pessoal!

Neste excerto, a única coisa que tive que fazer com relação aos aspectos técnicos foi traduzir “figure” por “imagem“. Isso porque embora falemos em “sentido figurado“, usualmente nos referimos a isso como uma “imagem” do que queremos dizer e não como uma figura. Assim a frase pôde ter seu sentido mantido e a pequena provocação que encerra o trecho plenamente compreendida.

A imagem de hoje é a do pai de George MacDonald em sua juventude que tinha, inclusive, o mesmo nome que ele.

George MacDonald, o pai.
George MacDonald, o pai.

22 – Traça e ferrugem

“O que está com o tesouro deve receber o mesmo tratamento que o tesouro. (…) O coração que frequenta a casa do tesouro onde a traça e a ferrugem corrompem será exposto às mesmas intempéries que o tesouro. (…) Muitos homens, muitas mulheres, justos e prósperos à vista seguem com um coração enferrujado e comido por traças dentro daquela aparência de força ou beleza. ‘Mas é apenas uma imagem’. Verdade. Mas é a realidade pretendida menos ou mais do que a imagem?”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The heart with the treasure)

Tradução: George MacDonald #21

Olá pessoal!

Este trecho termina belamente a seleção deste sermão não proferido de George MacDonald. É uma espécie de reflexão daquele que recebeu a pedra branca com seu nome verdadeiro nela após isso ter acontecido. Portanto, o título que C. S. Lewis deu a este excerto faz todo o sentido. Não poderíamos querer ou apreciar mais um nome que aquele que nos foi destinado individualmente e em segredo.

A imagem desta vez é uma foto em que podemos ver Louisa MacDonald, quatro de seus filhos e Lewis Carroll.

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21 – O fim

“‘Deus se importou de me fazer para Ele Próprio’, diz o vitorioso com a pedra branca, ‘e me chamou daquilo que mais gosto’.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The new name)