Resenha: I have no mouth and I must scream – Harlan Ellison

Olá pessoal!

A resenha dessa semana é de um conto de Harlan Ellison intitulado “I have no mouth and I must scream“. Infelizmente ele não possui ainda uma tradução ao português, mas podem ler esse título como “Não tenho boca e preciso gritar“.

Publicado pela primeira vez em 1967 em uma revista de ficção científica, ganhou um Hugo Award em 1968 e algumas reedições em uma coletânea de contos do autor e em uma outra seleção de contos. Ele acabou se tornando mais conhecido com a adaptação feita por Ellison da história em um jogo de computador lançado em 1995.

E, na realidade, esse foi o meu primeiro contato com ele. Ouvi falar do jogo há alguns anos e a atmosfera toda dele me capturou de uma maneira singular, mas acabei abandonando e não dei prosseguimento. À época, um grande amigo meu havia me cedido uma cópia do conto original, mas deixei-o engavetado durante todo esse tempo. Nunca o esqueci, mas sempre postergava a leitura pelas mais diversas razões.

Quando resolvi criar esse espaço e tive a ideia de fazer resenhas de leituras que estivesse fazendo, alguns poemas e romances vieram facilmente à minha mente, mas o primeiro conto que me apareceu à memória foi justamente esse. Considerei que seria uma boa oportunidade para ter a experiência com uma obra inédita para mim e ainda poder compartilhar da minha experiência com ela.
035_01 Continuar lendo

Tradução: George MacDonald #29

Olá pessoal!

Esse trecho foi divertido de traduzir e não foi difícil encontrar as soluções para os (poucos) problemas de tradução com os quais me deparei.

Utilizei nas referências bíblicas literais a versão em língua portuguesa como venho fazendo, mas dessa vez não houve a necessidade de adaptar coisa alguma: tudo se encaixou perfeitamente. E o mesmo se aplica a todo o texto: fora desse âmbito das citações literais, precisei inserir somente uma única palavra entre colchetes para que uma frase fizesse sentido.

Optei por manter a repetição “tentados a tentar” porque George MacDonald faz exatamente a mesma coisa (“tempted to tempt“) mesmo existindo outros verbos em inglês para realizar alguma substituição necessária. Encarei isso como um pequeno jogo de palavras interessante e procurei não alterá-lo.

A imagem de hoje é uma das capas disponíveis de Phantastes, a obra que fascinou C. S. Lewis e G. K. Chesterton. Se notarem, é dito que há uma introdução feita pelo autor das Crônicas de Nárnia. Contudo, essa introdução nada mais é que uma versão resumida da introdução que ele faz na antologia que estamos utilizando aqui como referência e que pretendo traduzir uma vez que termine todos os 365 excertos.

031_01

29 – Presunção

“‘Se vocês tiverem fé e não duvidarem, poderão dizer a este monte: ‘levante-se e atire-se no mar’, e assim será feito.’ Pessoas boas (…) têm sido tentadas a tentar o Senhor seu Deus na força deste dito. (…) Felizmente para eles, a certeza à qual dariam o nome de fé geralmente lhes falha com o tempo. Fé é aquilo que, conhecendo a vontade de Deus, vai e a faz; ou, não a conhecendo, fica firme e espera. (…) Mas colocar Deus sob questão de uma maneira diferente de dizer ‘o que quer eu eu faça?’ é uma tentativa de compelir a Deus para tornar-se claro, ou para apressar Seu trabalho. (…) O homem neste caso separa-se de Deus tão grandemente que, ao invés de agir pela vontade divina de [seu] interior, ele age diante da face de Deus, como se fosse para ver o que Ele fará. A primeira preocupação do homem é ‘o que Deus quer que eu faça?’ e não ‘o que Deus fará se eu fizer isso e aquilo?'”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The temptation in the wilderness)

Tradução: George MacDonald #28

Olá pessoal!

Esse trecho é um tanto nebuloso de se compreender e foi um pouco difícil encontrar meios para passá-lo ao português. Evitei ao máximo usar artifícios para auxiliar na compreensão e optei por fazer um breve comentário sobre o excerto e a respeito do quê ele diz.

O homem, ao conhecer que Deus é a verdade tem claro para ele que é por Deus ser verdadeiro que está vivo: ele vive porque conhece. Há um quê de Descartes nesse trecho: sabemos que Deus é verdadeiro, logo vivemos. Por acreditarmos nesse Deus que se revelou antes a nós, vivemos por essa palavra quando tudo é escuro e não o vemos da mesma clara maneira.

A imagem de hoje é uma das várias capas de uma das obras mais importantes e interessantes de George MacDonald: Lilith. Aproveito inclusive para dizer que os últimos excertos dessa antologia feita pelo C. S. Lewis são retirados desse livro fundamental em sua bibliografia.

030_01

28 – Sequidão

“E quando ele não pode mais sentir a verdade, ele não irá por conseguinte morrer. Ele vive porque Deus é verdadeiro; e ele é capaz de saber que vive porque conhece, tendo uma vez entendido a palavra que [diz] Deus é a verdade. Ele acredita no Deus da antiga visão, vive por aquela palavra por conseguinte: quando tudo é escuro e não há visão”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The temptation in the wilderness)

Tradução: George MacDonald #27

Olá pessoal!

Esse excerto também não apresentou dificuldades na tradução. Ele segue a continuidade do sermão sobre tentação de Cristo no deserto (que lembramos durante o período de Quaresma) e a referência que faz ao pão aqui é justamente a mesma desse episódio.

A imagem escolhida hoje é uma das ilustrações da obra de George MacDonald chamada “The Princess and Curdie“.

029_01
27 – Sentimento religioso

“No mais alto aspecto desta primeira tentação, surgindo do fato que um homem não pode sentir as coisas que ele acredita exceto sob certas condições de bem-estar físico dependente de comida, a resposta é a mesma: um homem não vive pelos seus sentimentos mais do que pelo pão.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The temptation in the wilderness)