Tradução: George MacDonald #40

Olá pessoal!

Esse excerto requereu um pouco de esforço em sua tradução. Tenho diversas questões técnicas para comentar, mesmo que não seja um trecho grande.

O primeiro ponto é que, por ele parecer truncado, foi necessário ler o sermão não proferido inteiro na busca de uma chave de compreensão. Esse trecho se encontra em um parágrafo no qual George MacDonald enumera uma série de coisas que ele, ser humano, entrega a Deus. Em alguns ele usa a fórmula completa “Pai, em Tuas mãos entrego meu espírito” e em outras, como neste trecho, ele a abrevia para “Pai, em Tuas mãos“. Por esta razão coloquei o restante da frase entre colchetes.

Traduzi ainda o verbo “to do” na primeira parte por “realizar” devido ao hábito em nossa língua de ligarmos a palavra “feito” a esse verbo e não a “fazer”. E isso embora a derivação do-deed e fazer-feito seja bastante similar. Mas a nossos ouvidos “fazer um feito” soa esquisito.

Outra dificuldade foi a expressão “of all times” que significa algo como “justo agora“, “bem agora“. Ela é diferente de “of all time” que é mais fácil de entender como “de todos os tempos“. O plural nesta expressão pode confundir um pouco, creio eu, na hora de traduzirmos tanto uma como outra.

Por fim, traduzi o verbo “to have” por “possuir” e não por “ter” porque é exatamente esse sentido de posse que ele demonstra ter receio. Não no sentido de uma possessão demoníaca, por exemplo, mas no sentido mesmo de ser um objeto em posse do inimigo.

"Fair Rosamond" por Lewis Carroll.
“Fair Rosamond” por Lewis Carroll.

40 – Momento perigoso

“Estarei realizando um bom feito? Então, justo agora – Pai, em tuas mãos [entrego meu espírito]: pois temo que o inimigo me possua neste momento.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The Hands of the Father)

Anúncios

Uma coisa leva a outra: descrição de um prelúdio

Olá pessoal!

É verdade que esse pequeno ensaio tem mais um quê de crônica já que nada mais é do que uma descrição de algo que me aconteceu. Contudo, existe alguma forma de conhecimento reflexivo não se fundamenta em alguma experiência que tenhamos? Mesmo os assuntos mais teóricos e abstratos possuem raiz em nossa experiência vivida, não é verdade?

37_01
Continuar lendo

Tradução: Gretchen – Every Moment

Olá pessoal!

Muitas músicas aparecem em meu novo livro Jehanne. Algumas delas são instrumentais, ou em português ou em finlandês, mas a maioria delas é em inglês. Por conta disso, decidi traduzir essas faixas e publicá-las aqui mesmo para tentar emular algo que alguns personagens fazem. Assim podem ter acesso ao conteúdo das letras e, claro, de algumas das muitas canções que têm papel importante nessa minha obra tão querida.

Caso queiram ter pequenos vislumbres de Jehanne, podem me seguir pelo Facebook, ou pelo Google+, ou pelo Twitter porque publicarei pequenos trechos do livro junto com o link para as páginas das traduções. Ou podem simplesmente adquirir o livro seguindo as instruções desta página.

Gretchen é um trio dos Estados Unidos cujo nome é derivado do álbum “Gretchen goes to Nebraska” do King’s X. Formado por Mia Richards, Dave Richards e Brandon Hensley, possuem uma sonoridade muito interessante e que me chamou muito a atenção há uns seis anos atrás. Já dividiram o palco com o Stryper e o disco de 2004 que contém essa musica foi produzido por Travis Wyrick que cuidou de bandas como Pillar e P.O.D.

Continuar lendo

Tradução: George MacDonald #39

Olá pessoal!

Esse trecho foi interessante e um pouco difícil de se traduzir. Principalmente porque foi completamente escrito com o uso de uma segunda pessoa formal e mais antiga na língua inglesa equivalente ao nosso “tu”, mas muito menos usada.

A única coisa que valeria a pena relatar é que meu texto-fonte continha um pequeno erro de digitação. Grafaram are (verbo to be conjugado para o pronome you) e não art (verbo to be conjugado para o pronome thou). No restante, mantive todo o uso de maiúsculas que, acredito, foram desejadas pelo autor (como o “Faz” ao final do excerto).

Família de George MacDonald (1876)
Família de George MacDonald (1876)

39 – Alma atribulada

“Alma atribulada, tu não és ligada ao sentir, mas és ligada ao despertar. Deus te ama se tu sentes ou não. Tu não podes amar quando queres, mas tu estás ligada ao combate do ódio em ti até o fim. Tenta não te sentir boa quando não és boa, mas clama a Ele que é bom. Ele muda não porque tu mudastes. Não, Ele tem uma especial candura de amor voltada a ti, pois que tu estás no escuro e não tens luz, e Seu coração se alegra quando tu despertas e dizes: ‘eu irei a meu Pai.’ (…) Cruza os braços de tua Fé, afirmo, mas não [os] da tua Ação: considera algo que tu poderias fazer, e vai fazê-lo, ainda que seja o varrer de um cômodo, ou o preparo de uma refeição, ou uma visita a um amigo. Não sigas teu sentimento: Faz tua obra.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The Eloi)

Tradução: George MacDonald #38

Olá pessoal!

Esse excerto é extremamente simples, mas instigante ainda assim. George MacDonald discute a respeito da mais alta condição de nossa vontade. Para ele, ela nada mais seria do que ela estar unida a Deus mesmo quando Ele está em silêncio e quando parecemos não compreendê-lO plenamente.

Há uma continuidade interessante com o trecho anterior por dizer que a vontade humana é distinta, mas que não deve estar separada de Deus: ou seja, através da nossa liberdade (e não deixando-a de lado), nossa vontade deveria ser equivalente à vontade dEle.

Além disso, a “mais alta condição da vontade humana” surge como essencial também à manutenção da fé. Como diz o autor da carta aos Hebreus, ela é firme certeza das coisas que não vemos. Se não vemos Deus em algum momento, podemos (e devemos) manter nossa fé através da vontade que Ele mesmo nos deu.

Quanto aos aspectos técnicos, não tenho nada a acrescentar. Foi uma tradução tranquila de ser feita.

George MacDonald
George MacDonald

38 – A mais alta condição da vontade humana

“A mais alta condição da vontade humana está em vista. (…) Não digo a mais alta condição do Ser Humano; isto certamente reside na Visão Beatífica, no vislumbre de Deus. Mas a mais alta condição da Vontade Humana, como distinta, e não separada de Deus, existe quando, não vendo Deus, não parecendo a si mesma compreendê-lO de forma alguma, ainda assim ela O mantém firme.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The Eloi)

Tradução: George MacDonald #37

Olá pessoal!

Esse excerto não exigiu muitos esforços de minha parte. Quanto às questões técnicas, apenas retirei o itálico das partes grifadas pelo próprio autor como venho fazendo desde a primeira postagem. Inseri um único par de colchetes para que uma frase ficasse com sentido mais claro, mas ele não é necessário também (podem ignorá-lo, portanto).

O trecho fala, basicamente, que Deus não nos faz querer o bem automaticamente, ferindo nossa liberdade e individualidade. Deus quer que sejamos feitos à sua imagem, mas para isso, nós mesmos devemos usar nossa liberdade para escolhermos o bem e recusarmos o mal. E, ao fazermos isso, provamos de seu amor, sabemos que somos dependentes dEle que criou a nossa própria liberdade. Assim, quando somos realmente livres, mais perto de Deus estamos.

Mary Josephine, Ronald e George MacDonald (foto tirada por Lewis Carroll)
Mary Josephine, Ronald e George MacDonald (foto tirada por Lewis Carroll)

37 – O uso da sequidão

“Deus, pelo dom imediato de Seu espírito, não nos faz sentir sempre corretos, desejar o bem, amar a pureza, aspirar por Ele e Sua Vontade. Logo ou Ele não o fará, ou Ele não pode [fazê-lo]. Se Ele não o fará, deve ser porque não seria bom fazê-lo. Se Ele não pode, então Ele não o faria se Ele pudesse; de modo que uma melhor condição que a de Deus é concebível à mente de Deus [neste caso]. (…) A verdade é esta: Ele quer nos fazer à Sua própria imagem, escolhendo o bem, recusando o mal. Como Ele poderia efetuar isso se Ele estivesse sempre nos movendo a partir do interior, como Ele faz em intervalos divinos em direção à beleza da santidade? (…) Pois Deus fez nossa individualidade tanto quanto, e uma maior maravilha do que, nossa dependência; fez nosso distanciamento dEle, para que a liberdade nos atasse divinamente mais preciosos para Ele, com uma nova e inescrutável maravilha do amor; pois a Trindade ainda está na raiz, é a raiz criadora de nossa individualidade, e quanto mais livre o homem, maior o elo que o une a Ele que criou sua liberdade.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The Eloi)

Tradução: George MacDonald #36

Olá pessoal!

Esse excerto foi bastante divertido de traduzir. Ele não possui uma imagem forte como o anterior, mas possui um jogo de palavras que foi possível traduzir sem prejuízo de sentido. “Queridas” veio diretamente de “willed upon” e “querendo” de “willing“.

Um outro ponto relevante a se comentar da tradução reside na última parte. George MacDonald usa “them” para se referir a algo que teria sido comentado anteriormente, mas não há nada plural que faça sentido com isso. Porém, o contexto força-nos a pensar que fala de “sentimentos“. Para frisar essa possibilidade, coloquei a palavra entre colchetes para dirimir confusões na leitura direta. A leitura do original não me deixou dúvidas quanto ao objeto, mas talvez ficasse vago em português e optei por essa saída.

Por fim, traduzi “sunshine” por “clarear” devido ao fato de se tratar da descrição de uma experiência similar ao êxtase religioso. Não idêntica, mas imediata e repentina, como um raio de sol que não apenas vemos, mas que nos faz ver.

George e Louisa MacDonald em seu aniversário de 50 anos de casamento.
George e Louisa MacDonald em seu aniversário de 50 anos de casamento.

36 – Sequidão

“Enquanto não temos nada a dizer a Deus, nada a tratar com Ele, exceto no clarear da mente quando O sentimos perto de nós, somos pobres criaturas: queridas, [mas] não querendo. (…) E como em tal condição geralmente agimos? Sentamos lamentando a perda do sentimento? Ou pior, fazemos esforços desesperados para tirá-los [sentimentos] da apatia?”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The Eloi)