Tradução: George MacDonald #54

Olá pessoal!

Neste trecho, George MacDonald nos fala a respeito de coisas com que Nosso Senhor não se importa. E também com aquilo que realmente importa para Ele.

Não houve qualquer dificuldade digna de nota na realização desta tradução.

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George MacDonald

54 – Desconsiderações de Cristo

“O Senhor não se importava nem com a verdade isolada e nem com a obra órfã. Era a verdade nas regiões interiores, era o bom coração, a mãe de boas obras, que Ele estimava. (…) Era o bom homem com quem Ele se importava, não com noções de coisas boas, ou mesmo boas ações, exceto enquanto resultado da vida, exceto enquanto os corpos nos quais as primordiais ações de amor e vontade vivas na alma tomavam forma e seguiam adiante.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The Way)

Tradução: George MacDonald #53

Olá pessoal!

Esse excerto é bastante singelo e, nele, George MacDonald demonstra que faz parte do que chamamos “ser bompensar em nossa própria maldade ao vermos a bondade manifesta. Por exemplo, se você é bom e vê alguém fazendo um ato de bondade, você pensa em suas próprias falhas em praticar a bondade.

Com Cristo isso foi um pouco diferente porque, afinal, ele não tinha qualquer maldade própria em que pensar. E, justamente por isso, encontra deleite na Bondade que é Deus.

Nos aspectos técnicos não tive nenhuma dificuldade desta vez.

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George MacDonald (1892)

53 – Bondade

“O Pai era tudo que o Filho levava em conta, e o Filho não pensava de Sua própria bondade mais do que um homem honesto pensa de sua própria honestidade. Quando o bom homem vê bondade, ele pensa de seu próprio mal: Jesus não tinha mal em que pensar, mas nem mesmo Ele pensa em Sua bondade: Ele se deleita na de Seu Pai. ‘Por que você me chama bom?'”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The Way)

Mortes literárias

Olá pessoal!

Talvez alguns de vocês saibam que a fundamentação básica em minhas análises e compreensões das coisas do mundo é a fenomenologia e as filosofias da existência. Em meio às reflexões oriundas do Dia de Todos os Santos e do Dia de Finados há alguns dias, pensei sobre aquilo que defendo acerca da angústia e de nossa liberdade: quando realizamos uma escolha, matamos todas as outras possibilidades que antes se mostravam para nós.

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Tradução: George MacDonald #52

Olá pessoal!

Esse trecho utiliza imagens bastante interessantes para serem discutidas e pensadas. George MacDonald advoga aqui a importância do corpo que, ao contrário do que muitos podem pensar, tende muito mais a ser visto como sagrado dentro do cristianismo do que como profano, impuro ou coisas similares. Diz ele que é através do corpo que todas as coisas se revelam a nós: emoções, saberes e até mesmo o próprio Deus. Embora seja “como um vapor que se esvai” como diz Tiago em sua carta, ainda assim ele é sempre orientado para o alto. Pelo fato do corpo cobrir o espírito não o torna menor dentre as coisas feitas por Deus e nem é ele menos em nossa própria experiência de mundo.

No que se refere às questões técnicas, não tenho nada a acrescentar desta vez.

George Mac Donald (1880)
George Mac Donald (1880)

52 – O corpo

“É pelo corpo que entramos em contato com a Natureza, com nossos semelhantes, com todas as suas revelações a nós. É através do corpo que recebemos todas as lições de paixão, de sofrimento, de amor, de beleza, de ciência. É através do corpo que nós somos tanto treinados para fora de nós mesmos como guiados para dentro de nossos eus mais profundos para encontrar Deus. Há glória e força nesta evanescência vital, esse fluxo lento como uma geleira de cobertura e matéria que se revela, este arco-íris de humanidade tangível sempre lançado para cima. Não é menos do fazer de Deus do que o espírito que é coberto neste caso.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – The God of the Living)

Tradução: George MacDonald #51

Olá pessoal!

Esse trecho é interessante ao demonstrar que o amor é superior à justiça porque a cumpre e toma seu lugar. A verdadeira justiça só pode ser executada quando é feita com amor, a lei que nos foi outorgada como tarefa suprema. Ou seja, cumprimos a lei justamente seguindo a lei do amor; e a segunda é a plenitude da primeira. Não há justiça sem amor.

Quanto às questões técnicas, apenas pontuaria que mantive o destaque na palavra “mera” dado por George MacDonald retirando o itálico como sempre tenho feito.

George Mac Donald (1860)
George Mac Donald (1860)

51 – Amor e Justiça

“O homem não é feito para agir justamente com seu companheiro, mas para amar, o que é maior que a justiça e inclusive suplanta a justiça. Mera justiça é uma impossibilidade, uma ficção de análise. (…) Justiça para ser justiça deve ser muito mais do que justiça. Amor é a lei de nossa condição, sem o qual não podemos fazer justiça mais do que um homem consegue manter uma linha reta andando no escuro.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – Love Thine Enemy)

Tradução: George MacDonald #50

Olá pessoal!

Esse excerto é pungente, vivo e eficaz. Em continuação às discussões a respeito do amor, George MacDonald fala nesse sermão não proferido sobre a difícil tarefa de amarmos nossos inimigos. Este trecho em particular disserta sobre a diferença entre amar o pecado e amar a pessoa que peca.

Nas questões técnicas, preciso pontuar que foi necessário excluir um termo usado pelo autor: “sisterhood” porque ele utiliza, logo antes dele, “brotherhood“. Em português, ambos podem ser traduzidos por “irmandade” embora o primeiro se refira a uma irmandade entre mulheres e o segundo entre homens. Optei por não prolongar o texto usando “irmandade feminina” e “irmandade masculina” porque MacDonald usa ambos para deixar claro que isso se refere a ambos os gêneros e temos a felicidade de expressar as duas coisas com uma única palavra cumprindo sua intenção mais sucintamente que ele próprio.

Outra coisa que fiz foi traduzir “lovely” como “agradável” para manter a paridade com o “unlovely” que aparece antes e que traduzi como “desagradáveis“. Além disso, traduzi “lovable” por “amável” no sentido de “capaz de ser amado” que é o que o autor pretendeu utilizar.

George MacDonald (1870)
George MacDonald (1870)

50 – O que não pode ser amado

“Mas como podemos amar um homem ou uma mulher que (…) são maliciosos, desagradáveis, briguentos, caprichosos, moralistas e narcisistas? – Que pode até mesmo escarnecer, a mais inumana das faltas humanas, muito pior em sua essência do que o simples assassinato? Essas coisas não podem ser amadas. O melhor dos homens as odeia mais que tudo; o pior dos homens não pode amá-las. Mas são essas coisas o homem? (…) Não reside ali no interior do homem e da mulher um elemento divino de irmandade, algo agradável e amável – lentamente evanescendo, pode ser – morrendo sob o feroz calor das paixões vis, ou o ainda mais aterrorizante frio do egoísmo sepulcral, a não ser ali? (…) É a própria presença dessa humanidade evanescente que torna possível para nós odiar. Se fosse apenas um animal, e não um homem ou uma mulher, que nos machucasse, não odiaríamos: apenas mataríamos.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – Love Thine Enemy)