Silêncio quebrado

Escrito por Thiago de Paula Cruz

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Xilogravura de Julius Schnorr von Carolsfeld.

Silêncio quebrado

Um manto negro cobre
O mundo em que vivemos
E no escuro tememos
Tudo que não é nobre.

Os vícios congelantes
Correm em nossas veias,
as quais são letais teias
De ações petrificantes.

Deitado sobre a grama
Confortável do pasto,
Luzes tiram o asco
Que teria nesta cama.

Após o anoitecer,
Morreu a esperança;
Sozinho na andança
Sem meta a conhecer.

Porém preste atenção:
Nessa bendita noite
Deixei de lado a foice
Quando vi um clarão.

Música angelical
Atingiu os meus olhos
E todos os meus poros
Temiam o seu final.

Era um santo mandado
A um bem anunciar;
Preciso me alegrar!
Ainda sou amado!

“O silêncio findou,
Pois a Palavra antiga,
Do homem mui amiga,
Afinal encarnou!”

Tornou-se em carne frágil
Pra me direcionar,
Pois a via a andar
Não é estrada fácil.

Levantei apressado;
Pra saudá-lo, corri.
Posso dizer que o vi
Por ouvir o chamado.

A mais alta nobreza
Envolta em simples panos,
Vulnerável a danos,
Porém não à torpeza.

O Rei Sol é nascido,
A Palavra falou
“Pois Eu sou o Eu sou
E não só mais um mito”.