Terceiro Domingo da Quaresma (A)

“Cristo e a mulher samaritana ao poço”. Pintura de Angelica Kauffman.

“Disse Jesus: ‘A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e concluir a sua obra’.” (João 4.34)

O jejum que fazemos na quaresma (ou em qualquer outra época do ano litúrgico) faz com que nos lembremos não apenas dos sofrimentos e das privações pelas quais passou Nosso Senhor, mas também promove a reflexão a respeito de nossos próprios sofrimentos terrenos e mundanos.

E, quando estamos diante sob grandes dificuldades, existem duas coisas que podemos fazer: confiar em Deus, ou não confiar nEle.

A passagem de Êxodo relata que os hebreus não apenas deixaram de confiar na providência divina, mas também O recusaram completamente ao acreditarem que a razão de terem sido tirados no Egito foi para morrerem de sede no deserto.

Em nossos sofrimentos humanos, podemos duvidar da presença de Deus em nosso meio e até mesmo abandoná-lO, mas o salmista nos alerta da importância de continuar a manter a fé nEle. Ele critica em suas linhas a atitude do povo hebreu no deserto que ficou com o coração endurecido por ingratidão e por não reconhecerem os caminhos do Senhor. Não deveríamos tentar ensinar a Deus como nos guiar, mas sim ouvir a Sua voz e nos deixar conduzir por Ele enquanto estamos nesse deserto em que vivemos como peregrinos rumando ao Seu Eterno Repouso.

“Caravana no deserto”. Foto de Anurag977.

Paulo concorda com isso e, em sua carta aos romanos, enfatiza a importância de nossas dificuldades. Diz ele que nos gloriamos não apenas na esperança da glória de Deus, mas também nos sofrimentos. Isso porque, segundo ele, as tribulações produzem perseverança, a perseverança leva a um caráter aprovado e este, por sua vez, origina a esperança.

Para ele, a esperança jamais nos decepciona. E, considerando o povo hebreu no deserto, talvez pudéssemos dizer que não tinham a esperança viva já que se decepcionaram profundamente com Deus, mesmo Ele tendo-os ajudado tanto ao longo de todo o caminho para fora do Egito e rumo à Terra Prometida aos patriarcas.

O apóstolo ainda diz que também nos gloriamos em Deus já que, por meio de Cristo, temos uma forma de realizar nossa reconciliação com Ele. Afinal, Jesus morreu por nós quando ainda éramos inimigos de Deus e pecadores.

E a história narrada pelo apóstolo João em seu Evangelho aponta exatamente para isso.

TongLyng Canyon. Foto de SEVEN.

Diante da mulher samaritana que conversa com Cristo junto ao poço, Nosso Senhor afirma que a água que apenas Ele pode fornecer uma água que, quando bebida, fará com que a pessoa não tenha mais sede. E, não apenas isso, mas que o próprio fluir dessa água se tornaria em uma corrente que a levaria direto à vida eterna.

Essa é a resposta de Jesus e que resume os dois pontos trazidos pelas leituras anteriores. As privações que passamos nos fazem procurar alguma solução, mas se esta for temporária, voltaremos a ele constantemente e nos aborreceremos com Deus por Ele parecer distante. Mas quando confiamos nEle e construímos em nós a esperança nas promessas de Vida Eterna que nos oferece, nossa caminhada se torna mais fácil já que nos apoiamos em coisas que duram para sempre e não em tesouros que podem se desgastar com o tempo.

E enquanto a samaritana, feliz, vai contar às pessoas da cidade acerca do Messias que se revelou a ela, Jesus afirma a seus discípulos que o que saciaria sua fome não era pão, mas fazer a vontade de Deus. O pão e a água que nos alimentam para a vida eterna é seguir a vontade de Nosso Senhor e realizar a obra para a qual Ele nos chamou.

Oásis de Ubari na Líbia. Foto de Sfivat.

E, conclui, aquele que semeia alimento colhe tantos frutos quanto aquele que usufrui de seu trabalho. O exemplo é a própria mulher samaritana que, alimentando-se das palavras de Cristo, semeou sua alegria junto aos seus para que também eles pudessem receber o mesmo alimento semeado pelo Nosso Senhor.

Não devemos apenas buscar a água que Cristo nos oferece, mas também levarmos para outras pessoas a água viva que Ele nos deu para saciar nossa sede eternamente.

Até a próxima postagem!

Leituras:
Êxodo 17.1-7
Salmo 95
Romanos 5.1-11
João 4.5-42

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2 comentários sobre “Terceiro Domingo da Quaresma (A)

  1. E derrepente vc está num domingo meio que atribulado; sem muito ânimo, um pouco sem fé…aí aparece um email com dizeres da Bíblia pra te alegrar, encher teu coração de fé, e te renovar o ânimo e a confiança em Deus! Amo muito td isso! 😍

    Curtido por 1 pessoa

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