Terceiro Domingo da Páscoa (A)

“Caminho de Emaús”. Pintura de Adolf Joseph Weidlich.

“Salvem-se desta geração corrompida!” (Atos 2.40b)

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Planta

Escrito por Thiago de Paula Cruz

Foto de Böhringer Friedrich.

Planta

Após breve descanso
Sob a escura e fria
lápide da terra,
A semente deu lugar
A um fruto a brotar.

Todo o grande peso
Das pedras sobre si própria
Não foram capazes
De impedir seu crescimento
E seu eterno alimento.

Com força divina
Destruiu todo grilhão
Que prendia os seus.
Derrotou enfim a morte;
Nos deu uma nova sorte.

Amanheceu belo
Com o seu cetro dourado
Dado pelo Pai.
Podemos ter esperança
Nesta nossa breve andança.

Da vida a árvore
Foi podada no jardim
Pelos nossos pais,
Mas renasceu imponente
Com a morte da semente.

Semente

Escrito por Thiago de Paula Cruz

“Enterro de Cristo”. Pintura de Carl Heinrich Bloch.

Semente

Anos de preparo
Muito atento e cuidadoso
Foram consumados.
A semente escolhida
Poderia trazer a vida.

Através da morte
Que surge a beleza eterna
Desta primavera.
Em sua pele foi ferida
Pra criar nossa saída.

Através da sede
Que existe em cada um
Que anda na terra
Com seu sumo foi regada
Sozinha, desamparada.

Sob o sol foi posta
À vista de todo mundo
Que quisesse ver.
Ao final deste tormento
Haveria algum alento?

Depositado só;
Sob a fria terra lacrado
Pra não mais voltar?
“Em breve eu vou voltar
P’ras lágrimas enxugar.”

Dívida

Escrito por Thiago de Paula Cruz

Interior da Basílica de Santa Maria del Mar.

Dívida

Um rei que ama a seu povo
Deita sua vida por ele,
Mas sem esquecer daquele
Que não busca Seu renovo.

Não deixe o mal vencer
Em seu orgulho ferino;
Deixe de ser um menino
E o permita morrer.

Pois seu santo sacrifício
É feito por nos amar
Pra enfim nos resgatar
Da paga de nosso ofício.

Aceitar a caridade
Não é também humildade?