Terceiro Domingo Após o Pentecostes (A)

“O batismo do eunuco etíope pelo diácono Filipe.” Pintura de Lambert Sustris.

“Não pensem que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.” (Mateus 10.34)

As leituras deste domingo nos lembram dos sofrimentos e perdas que fazem parte de nossa vida servindo ao Senhor. Ao contrário do que muitos afirmam, ser cristão parece trazer muito mais problemas para nossas vidas do que tranquilidade. O próprio C. S. Lewis diz em algum momento que não recomenda o cristianismo para quem deseja se sentir apenas alegre e é de algo nessa linha que meditaremos hoje.

A história lembrada no Gênesis já é uma de abandono. Hagar e Ismael são expulsos de sua casa por Abraão (devido ao pedido feito por sua esposa Sara). Enquanto mãe e filho vagam pelo deserto, seu suprimento de água termina e a mulher, em seu desespero, abandona o filho à distância para não vê-lo morrer. Contudo, é nesse sofrimento que um anjo aparece para consolá-la e renovar sua esperança. Ela recebe tal mensagem e não apenas recebe a água de que necessitam, mas Deus prepara o caminho para abençoá-los em seu futuro também.

O salmista mostra que clamar em nossa angústia para sermos ouvidos funciona: Ele sempre nos responde, pois está sempre inclinado a nos ouvir. E a bondade que Ele demonstra para conosco não apenas serve para nos aliviar a carga, mas também para que as outras pessoas reconheçam que apenas Nosso Senhor é capaz de realizar maravilhas (como, por exemplo, a de salvar um filho e sua mãe no deserto e, deles, fazer um grande povo).

Imagem retirada do livro “The Bible and its story” de 1908 e com autoria de Charles Francis Horne e edição de Julius August Brewer.

Mas é exatamente isso que deve acontecer conosco. Morrer para o pecado gera (muito) sofrimento. Para Paulo, o batismo acaba servindo de símbolo para isso: é a marca de nosso sepultamento junto com Cristo para que vivamos uma nova vida assim como Jesus foi ressuscitado. Ser cristão implica em provar dessa semelhança na morte e na ressurreição: nosso velho homem foi crucificado junto com ele. Apenas com a morte de nosso corpo de pecado que deixamos de ser escravos dele e nos tornamos verdadeiramente livres.

Mateus relembra as palavras de Cristo que afirmam que o senhor e o mestre sempre são superiores ao servo e ao discípulo; estes devem se inspirar naqueles e tentar imitá-los, mas não para serem superiores. Reconhecer nossa posição na hierarquia divina também faz parte de nossa caminhada como cristãos. Se o senhor de uma casa é bom e justo, seus servos também devem sê-lo.

Ou seja, o que o Senhor nos diz em sussurro a portas fechadas devemos bradar em alta voz nas praças; temos que confessar a Cristo diante dos homens. Aqueles que podem matar nosso corpo não nos devem amedrontar porque já crucificamos nosso corpo com Ele.

Claro que isso vai gerar algum tipo de conflito. Conflito armado e morte em muitos países em que existem perseguições a cristãos, mas conflitos de toda forma em qualquer lugar do mundo. Se adaptamos as coisas que Deus nos diz através da História em uma brincadeira de “telefone sem fio” para não ofender as pessoas, estamos fazendo alguma coisa muito errada.

“Pedro batizando o centurião Cornélio”. Pintura de Francesco Trevisani.

Afinal, Jesus disse que não veio trazer paz, mas espada. Tanto que uma das coisas que podem nos acontecer com essa nossa morte para o pecado é nossa expulsão da vida de pessoas que amamos. Amigos e familiares podem nos deixar de lado e nos matar simbolicamente porque escolhemos morrer para ao mundo, viver para Cristo e amá-lO sobre todas as coisas.

Se essa for a nossa cruz para carregar, que a carreguemos. Temos que fazer o que Ele nos comanda a fazer e não aquilo que as pessoas gostariam de ouvir. Se desejarmos manter nossas vidas tal qual eram antes de decidirmos por seguir Nosso Senhor, nós não crucificamos nosso pecado junto com Ele na cruz. Afinal de contas, ainda tememos aqueles que podem ferir nosso corpo e que podem nos trazer sofrimento; ainda não imitamos a Cristo.

Precisamos perder a vida que acreditamos ser nossa por amor a Ele. Só assim a encontraremos de verdade.

Até a próxima postagem!

Leituras:
Gênesis 21.8-21
Salmo 86.1-10, 16-17.
Romanos 6.1b-11
Mateus 10.24-39

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