Quinto Domingo Após o Pentecostes (A)

“Rebecca e Eliézer”. Pintura de Bartolomé Esteban Murillo.

“Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?” (Romanos 7.24)

As passagens para a meditação de hoje tratam do mesmo tema que refletimos na semana passada: a servidão que podemos escolher.

O servo de Abraão, segundo o relato no livro de Gênesis, se prontificou a fazer aquilo que lhe fora ordenado: procurar uma esposa para Isaque, filho de seu senhor. Ele não alterou os termos do comando, não tentou fazer ver o seu ponto de vista; ele simplesmente se arrumou e fez o que lhe fora pedido.

Essa disposição em servir é algo que, muitas vezes, falta em nossa própria experiência pessoal diante de Deus. Não é incomum que acabemos pedindo muito mais as coisas a Ele do que deixemos que Ele nos diga o que fazer. O próprio salmista lembra o mesmo bom conselho de servir a um bom rei e das vantagens que se adquire através disso mesmo que ao custo de abandonarmos aquilo que nos é mais fácil seguir (como quando assumimos o risco do matrimônio e deixamos de lado as comodidades da casa de nossos pais).

Contudo faz parte do orgulho, cerne de todo pecado, se recusar a servir. É como o próprio Lúcifer diz no Canto I do Paraíso Perdido de John Milton:

“Reinar é o alvo da ambição mais nobre,
‘inda que seja no profundo Inferno:
reinar no Inferno preferir nos cumpre
à vileza de ser no Céu escravos.”

“Satanás fala no Conselho do Inferno”. Gravura de Gustave Dore para a obra Paraíso Perdido.

Mas, como muito bem alerta Paulo em sua carta aos Romanos, recusar-se a servir a Lei de Deus não quer dizer que não a desejamos. Todos desejam fazer aquilo que é bom, mas não o fazemos por conta do pecado que está em cada um de nós.

Ou seja, recusar-se a buscar a servir a Deus não nos torna senhores de coisa alguma, apenas escravos ainda mais presos e incapazes de vivermos a verdadeira liberdade. Nossa miséria é não fazermos aquilo que em nosso íntimo queremos, mas aquilo que odiamos. O que apenas aumenta nosso fardo com angústia e, principalmente, desespero.

Cristo alerta as pessoas de seu tempo a respeito de algo que permanece atual: as pessoas são como crianças que fazem coisas e exigem que outros as apreciem. Nosso orgulho exige apreciação muito mais do que obediência.

Mas a sabedoria é comprovada através de nossas obras, de nossa humildade e não do acolhimento e aclamação da multidão. O servo de Abraão não procurou uma esposa fazendo grande alarde: foi humilde não apenas ao cumprir o que lhe foi ordenado, mas também ao fazê-lo com legítima piedade. Há grande sabedoria em suas ações e há muito que podemos aprender com isso.

“Ordenação de um cavaleiro”. Pintura de Edmund Leighton.

Afinal, se escolhermos servir a Cristo, ele tirará nosso cansaço. É certo que tomaremos Seu jugo, sofreremos toda sorte de perseguições, mas encontraremos esse descanso. Servir sob um rei como Jesus não é apenas puro sofrimento, mas prazer e alegria na humildade que Ele próprio nos ensinou através de Sua vida, morte e ressurreição.

Nosso Senhor pede que sejamos servos, porque Ele mesmo também o foi. Ele sabe o quão difícil é, mas não é impossível. Podemos ser servos em seu reino, ou reis solitários em nosso orgulho e pecado. Queremos imitar a Cristo, ou queremos imitar a Lúcifer?

A escolha é de cada um de nós, individualmente.

Até a próxima postagem!

Leituras:
Gênesis 24.34-38
Salmo 45.10-17
Romanos 7.15-25a
Mateus 11.16-19, 25-30

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