Sétimo Domingo Após o Pentecostes (A)

“Sonho de Jacó”. Pintura de Cigoli (Ludovico Cardi).

“Mesmo que eu diga que as trevas me encobrirão e que a luz se tornará noite ao meu redor, verei que nem as trevas são escuras para ti. A noite brilhará como o dia, pois para ti, as trevas são luz.” (Salmo 139.11-12)

Enquanto fugia pelo deserto, Jacó foi surpreendido pela noite e teve que descansar ali mesmo onde estava. Repousando a cabeça sobre uma pedra, recebeu um sonho de Deus com promessas de bênçãos para ele e para seus descendentes. Ao acordar, Jacó fica aturdido e diz que aquele lugar era a casa de Deus e que por isso o Senhor havia falado com ele daquela maneira.

O interessante dessa história é o fato de que Deus pode muitas vezes se mostrar mais claramente para nós em nosso sofrimento e privação. Não apenas para nos confortar e consolar, mas para nos prometer coisas futuras que, muitas vezes, não fazemos a menor ideia de como nos apareceriam.

E por que Deus fala conosco em nosso sofrimento?

O salmista nos responde belamente ao dizer que Deus nos conhece melhor do que nós mesmos nos conhecemos. Além disso, Ele também nos protege e está sempre conosco, não importa para onde caminhemos: se formos aos lugares mais altos ou aos mais profundos da Terra, Ele ali estará. Ou seja, em nossas angústias e inquietações, Deus estará conosco, pois as conhece muito bem. Por isso, basta que peçamos a Ele que nos mostre o que há de errado em nossa conduta para que trilhemos o caminho que nos leva a Ele, à Eternidade.

“Sonho de Jacó”. Pintura de Jacques Réattu.

E por que passamos por sofrimentos?

Quando deixamos morrer a carne e passamos a viver no Espírito nos tornamos filhos de Deus. Ou seja, ao escolhermos servir a Palavra, não nos tornamos escravos, mas parte da família de Deus. E isso nos torna co-herdeiros de Cristo e participantes não apenas de Seus sofrimentos, mas também de Sua glória. E nenhum sofrimento grande demais é comparável à glória que nos espera.

Paulo, em sua carta aos Romanos, vai até além disso e afirma que até mesmo a própria natureza espera ser liberta da decadência e da escravidão em que se encontra (e que foi causada por nós a partir da Queda). Assim como ela geme em dor e esperança, nós também fazemos o mesmo. E a esperança não é aquilo que vemos, mas exatamente aqui que não podemos ver. Daí, apenas aguardamos pacientemente suportando as tribulações e caminhando rumo à Glória, assim como Cristo o fez quando tornou-se carne a habitou entre nós.

E a parábola do joio e do trigo trazida por Mateus trata dessa mesma questão.

“Satanás semeando sementes”. Desenho de Felicien Rops.

O semeador plantou seu trigo, mas um inimigo veio e plantou joio logo em seguida. Contudo, para que não perdesse nenhum trigo, resolve esperar até a colheita para então fazer a separação adequada. O próprio Cristo explica que o trigo são os filhos de Deus que andam lado a lado com os filhos do maligno. Nós, pacientemente, se somos da família de Deus, devemos suportar essa dificuldade e seguir adiante na esperança de que, um dia, seremos separados e rumaremos à Glória que nos foi prometida, assim como foi prometida naquela noite em Betel para Jacó.

Até a próxima postagem!

Leituras:
Gênesis 28.10-19a
Salmo 139.1-12, 23-24
Romanos 8.12-25
Mateus 13.24-30, 36-43

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