Oitavo Domingo Após o Pentecostes (A)

“Jacó e Raquel”. Pintura de Jacopo Amigoni.

“Então Jacó trabalhou sete anos por Raquel, mas lhe pareceram poucos dias, pelo tanto que a amava.” (Gênesis 29.20)

Jacó tem uma outra história conhecida que é seu casamento com Raquel. O relato em Gênesis nos conta que ele concordou em trabalhar sete anos para seu sogro a fim de desposá-la. E esse prazo passou rapidamente para ele porque muito a amava.

Contudo, o pai de Raquel o enganou e fez com que se casasse com Lia sob o argumento de que não era costume na região que a filha mais nova se casasse antes da mais velha. Consternado e amando muito a mulher que escolhera, concordou com a nova proposta de seu sogro: casaria com Raquel dali a uma semana, mas teria que trabalhar mais sete anos.

O interessante aqui é, dentre muitas outras coisas, o esforço de Jacó em obter uma bênção. Ele não ficou esperando sentado até que Raquel caísse em seus braços: ele trabalhou (literalmente) para obter aquilo que desejava. E mesmo diante da adversidade, ele perseverou. Afinal de contas, poderia ter dito: “você me enganou! Não quero mais casar com Raquel!”. Seria algo compreensível, claro, mas não foi o que ele escolheu fazer. Tal como Cristo, por muito amar, muito sacrificou: não poderia medir esforços para conseguir ficar com Raquel.

O salmista lembra justamente as bênçãos que Deus havia prometido a Abraão, avô de Jacó. Jacó, ao lutar por aquilo que amava e submeter-se às dificuldades inerentes a isso, garantia a realização promessa feita a seus pais. Afinal de contas, o Senhor não falta em sua palavra.

“Jacó e Raquel ao poço”.

Aquilo que Paulo diz em sua carta aos Romanos lembra exatamente essa mesma passagem e de duas maneiras diferentes.

A primeira diz respeito ao que ele afirma sobre o fato de que nada pode nos separar do amor de Cristo. Nesse caso, a Igreja seria como Raquel, o objetivo final de todo o sacrifício do noivo, Nosso Senhor.

A segunda diz respeito ao fato de que, por sermos co-herdeiros com Cristo, devemos passar por seus sofrimentos e glória. Neste sentido, a Igreja e cada um de nós individualmente também deve ser como Jacó: nada pode abalar nosso amor por Cristo, nossa meta final. Nenhuma tribulação, privação ou o que for já que somos naturalmente como ovelhas destinadas ao matadouro de qualquer forma.

E é justamente em nossos sofrimentos (e não apesar deles) que somos mais do que vencedores em Cristo. Muitos pensam que essa ideia de sermos mais que vencedores significa que seremos vitoriosos em tudo aquilo que nos acontece de um ponto de vista humano (posições de poder, dinheiro etc.), mas é justamente o contrário: é sermos fortes sendo fracos, é vencermos perdendo. E é isso que garante a nossa união a Cristo e o conhecimento dEle por outras pessoas através de nossas vidas: nosso amor por Ele se mostra como grande e o dEle por nós se mostra da mesma maneira. Nem mesmo a morte pode nos separar desse amor, nem qualquer autoridade humana, nada.

Já o Evangelho de Mateus nos lembra de seis breves parábolas, mas todas profundamente relacionadas a este tema geral das leituras anteriores.

A parábola do grão de mostarda na qual Ele demonstra que a menor semente pode se tornar uma grande árvore indica que o Reino dos Céus é exatamente como ela. Ou seja, quando morre uma semente (no caso, o próprio Cristo na cruz), algo grande se faz; quando sofremos, o reino de Deus cresce e se fortalece.

A parábola do fermento indica algo similar: a massa é fermentada com um pouco de fermento e nós, como imitadores de Cristo, “contaminamos” com o bom contágio as pessoas que estão próximas de nós e também ampliamos as fronteiras do Reino.

“Jacó e Raquel ao poço.” Pintura de Luca Giordano.

A parábola do tesouro escondido e da pérola preciosa falam de algo muito próximo à história de Jacó: se realmente queremos uma coisa, se muito amamos algo que desejamos, faríamos tudo para obtê-la, levaríamos tudo até as últimas consequências. Assim como Jacó. Assim como Cristo.

Já a parábola da pesca nos lembra algo que tratamos anteriormente: a parábola do joio e do trigo. Se fizermos como Cristo fez, se muito amarmos o Reino como Jacó amou Raquel, perderemos nossa vida para ganhá-la e, no fim dos tempos, seremos vistos como justos e selecionados para viver junto a Nosso Senhor.

Por fim, a última parábola lembra a continuidade das promessas através da vinda de Cristo e não sua substituição completa. Aquilo que Deus prometeu a Abraão e que os mestres da Lei conhecem só tem a ganhar com as notícias do Reino de Deus por meio de Jesus. Por isso que um mestre da Lei reconhece em seu tesouro mais precioso não apenas coisas velhas e antigas, mas também as novas trazidas pelo Rei dos Reis.

Que possamos aprender a ser como Cristo em Seu amor por nós! Não pela nossa própria salvação, mas pelo crescimento do Reino e para que obtenhamos aquilo que mais desejamos e amamos.

Até a próxima postagem!

Leituras:
Gênesis 29.15-28
Salmo 105.1-11, 45b
Romanos 8.26-39
Mateus 13.31-33, 44-52

Anúncios

Faça um comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s