Nono Domingo Após o Pentecostes (A)

“Jacó lutando com o anjo”. Pintura de Alexander Louis Leloir.

“Eu clamo a ti, ó Deus, pois tu me respondes; inclina para mim os teus ouvidos e ouve a minha oração.” (Salmo 17.6)

Dentre as várias histórias famosas envolvendo Jacó, uma das mais interessantes é a luta dele com um anjo e é dela que falaremos um pouco neste domingo.

Jacó ficando sozinho uma noite, lutou com um anjo durante uma noite inteira. E, apesar de ferido em sua coxa, impede o enviado do Senhor de partir exigindo que, antes disso, o abençoe. O anjo concorda e oferece sua bênção com a troca de seu nome. A partir de então, Jacó (“aquele que leva vantagem”) seria chamado de Israel (“aquele que luta com Deus”).

Há vários elementos interessantes nessa narrativa, mas queria destacar uma agora e uma outra mais adiante. É pertinente notar que mesmo ferido, Jacó continuou seu combate sem descansar. Uma pequena dificuldade não o impediu de continuar a clamar a Deus por aquilo que mais queria naquele momento: não era glória, não era poder; era apenas a bênção de Deus sobre sua vida. E certamente ele se sentiu plenamente abençoado após ter seu nome substituído já que permitiu que o anjo fosse embora sem impedi-lo.

O salmista também apresenta uma luta de certo modo. Uma luta em forma de oração. Ele pede a Deus que ouça seu clamor porque apenas Ele poderá ouvi-lo. Mas, como Jacó, não pede por coisas vãs, apenas para que o Senhor sonde seu coração (e veja que tem se esforçado para trilhar Seus caminhos) e que mostre Seu amor para salvar todos aqueles que buscam Sua proteção.

“Jacó lutando com o anjo”. Pintura de Rembrandt.

Paulo, em sua carta aos romanos, mostra em determinado momento que tanto a luta de Jacó com o anjo como a oração deste salmista foram respondidas.

E de que maneira isso teria acontecido?

Jacó, ao passar a se chamar Israel, recebeu finalmente a confirmação divina de que seria o portador da promessa feita a seu avô Abraão e a seu pai Isaque: pai de uma grande nação, dele viria o Salvador não apenas de seu povo, mas de todos os povos do mundo. Não poderia haver maior bênção a receber senão essa. Claro que é uma brincadeira tola imaginar o que teria acontecido se ele, por acaso, tivesse desistido após ter tido um ferimento que o impedia de andar sem mancar, mas sem sua persistência, não teria sido abençoado e o ponto culminante dessa bênção é, sem dúvida, a Encarnação, morte e ressurreição de Nosso Senhor.

E quando o salmista pede que Deus demonstre seu amor e traga salvação àqueles que o seguem, a pessoa de Cristo também surge como a resposta a seu clamor.

Paulo reconhece exatamente isso e descreve que é por meio da promessa feita aos patriarcas que pessoas de todos os povos podem ser salvas. Cristo é a bênção de Jacó e a resposta ao salmista.

No Evangelho de Mateus podemos ver um exemplo da grandeza de Cristo e também o ensino que ele faz a respeito das orações feitas a Deus. Quando solicita aos discípulos que alimentem toda a multidão, eles entregam ao Messias tudo o que possuem: cinco pães e dois peixes. Nosso Senhor recebe isso e dá graças a Deus pelo que lhe foi entregue e, a partir daí, reparte para todas as outras pessoas que o seguiam e o ouviam naquele momento.

Não apenas conseguiram alimentar cinco mil homens (sem contar as mulheres e as crianças) como também juntaram doze cestos com os pedaços que sobraram.

“Jacó luta com o anjo”. Gravura de Gustave Doré.

O que aprendemos aqui é que se dermos tudo o que possuímos a Deus, Ele fará com que aquilo que lhe entregamos dê frutos para milhares. Ou seja, temos que dar o melhor que temos (seja a luta que Jacó empreendeu sem descanso, ou a própria vida do salmista que tentava seguir fielmente os caminhos do Senhor) para que Ele nos abençoe. Mas essa bênção não é apenas algo que vai nos trazer algum benefício, mas é algo que será passado para centenas e milhares de pessoas além de nós.

Se nós hoje podemos alcançar a salvação por meio de Cristo, temos que agradecer, claro, a Deus, mas também aos esforços de muitos homens e mulheres que clamaram, lutaram e perseguiram a bênção, salvação e o amor de Deus. E nenhum ser humano consegue manter isso para si mesmo: temos que passar isso tudo adiante, temos que entregar o que temos a Deus para que Ele multiplique a resposta a nosso clamor a todas as pessoas.

Até a próxima postagem!

Leituras:
Gênesis 32.22-31
Salmo 17.1-7, 15
Romanos 9.1-5
Mateus 14.13-21

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2 comentários sobre “Nono Domingo Após o Pentecostes (A)

  1. Muita gente desiste de lutar por uma mera dificuldade, e o que me deixa encucado é desistir de algo simples, como se ajoelhar e orar, o que nos coloca em evidência um pensamento: “Será que essa COISA que impede de persistirmos na oração esta atrelada a uma fé incompleta ou uma total falta de fé?”

    Curtido por 1 pessoa

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