Décimo Domingo Após o Pentecostes (A)

“Túnica de José trazida a Jacó”. Pintura de Domenico Fiasella.

“Senhor, salva-me!” (Mateus 14.30c)

Costumo dizer que Deus tem uma capacidade impressionante de transformar mal em bem. Isso é algo que a própria Bíblia fala e demonstra como a narrativa que inicia as leituras desta semana no livro de Gênesis: a história de José, filho de Jacó.

José recebia sonhos vindos de Deus cujas interpretações deixavam seus irmãos com inveja e, ao mesmo tempo, também sentiam ciúmes de sua relação especial com Jacó. Certa vez pensam em matá-lo, mas acabam por “apenas” vendê-lo como escravo. E, não apenas isso, mas mentem a Jacó, seu próprio pai, afirmando que ele teria sido morto por alguma fera selvagem.

Embora o texto selecionado da semana pare por aí, o salmista recorda o que houve em seguida. Mesmo tendo sendo vendido como escravo, as promessas feitas por Deus para a sua vida ainda foram cumpridas e ficaram evidentes quando se tornou administrador dos bens do rei do Egito e pôde cuidar de sua família quando a fome chegou às suas terras.

Essa história diz bastante a respeito de várias coisas, mas talvez a principal dela seja confiança. Afinal de contas, mesmo passando por tudo o que passou, José ainda confiava em Deus e, além disso, continuava seguindo suas ordenanças, jamais negou aquilo em que acreditava e, mesmo sob pesado sofrimento, continuava a cumprir as tarefas que Ele lhe designava.

“José e a esposa de Potifar”. Pintura de Orazio Gentileschi.

E não é exatamente isso que Paulo nos diz em sua carta aos romanos? Os que recebem a salvação de Deus são aqueles que confessam que Jesus é Senhor e, além disso, que creem que Ele foi ressuscitado dentre os mortos. Mas para que cheguemos nesse ponto alguns passos muito simples precisam ser seguidos: alguém precisa ser enviado; este alguém deve anunciar as boas novas do Evangelho; aí sim podemos ouvir falar dEle; abrimos caminho para que nEle creiamos; e, por fim, podemos invocá-lo.

E, como também diz sua carta, todo aquele que confia em Nosso Senhor (não importa se judeu ou se gentio) não será envergonhado já que receberá aquilo que lhe foi prometido. E a maior bênção que nos foi prometida é justamente a salvação de nossas almas.

Ou seja, Paulo nos exorta não somente a recebermos a Palavra, mas também a levarmos aquilo que ouvimos para outras pessoas a fim de que também tenham a oportunidade da salvação.

Mateus nos mostra uma história que também fala sobre confiança em meio às intempéries da vida. Após pregar para uma multidão, Jesus foi orar sozinho enquanto seus discípulos seguiam para uma outra cidade de barco. Contudo, Nosso Senhor resolveu encontrá-los em meio a viagem que acontecia sob forte tempestade. Caminhando pelas águas agitadas, os discípulos ficaram com medo, mas Pedro pediu que o chamasse para junto dEle. Cristo o faz e Pedro caminha sobre as águas também.

“O triunfo de José” presente na Catedral de Santo Estevão em Toulouse.

Porém, diante do vento, Pedro duvidou e começando a afundar, clama a ajuda de Jesus que o segura pela mão e ruma ao barco junto com ele.

Podemos enfatizar aqui a figura de Pedro e dizer que Ele não confiou o suficiente em Cristo e isso, de certo modo, poderia ser verdade. Mas talvez o mais correto fosse dizer que ele duvidou de sua própria fé já que, em seu desespero, Ele sabia que somente Jesus poderia salvá-lo: e foi a Ele que clamou.

Mesmo sob as maiores dificuldades, Ele está sempre disposto a nos ajudar e a cumprir as promessas que tem feito a nós. Que possamos nos lembrar disso enquanto enfrentamos as tribulações de nosso dia a dia.

Até a próxima postagem!

Leituras:
Gênesis 37.1-4, 12-28
Salmo 105.1-6, 16-22, 45b
Romanos 10.5-15
Mateus 14.22-33

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