Décimo Quarto Domingo Após o Pentecostes (A)

“Os primogênitos dos egípcios são mortos”. Gravura de Gustave Doré.

“A noite está quase acabando: o dia logo vem. Portanto deixemos de lado as obras das trevas e revistamo-nos da armadura da luz.” (Romanos 13.12)

 

A instituição da Páscoa para os judeus foi feita quando ainda eram escravos no Egito. Deus orientou Moisés a realizar uma festa que, dentre muitas coisas, envolvia sangue sacrificial nas portas das casas do povo de Israel. Isso serviria de sinal para que aquelas residências não fossem molestadas pela destruição que atingiria o Egito naquela noite.

Curiosamente, não apenas ficaram em suas casas protegidas, mas também estavam com roupas de viagem prontos a partir e comendo com pressa indicando, claro, que sua saída daquela terra aconteceria em breve. A festa era o início de sua jornada, mas também uma eterna lembrança dAquele que os guiou para fora da servidão.

O primeiro salmo desta semana lembra não apenas a importância de louvarmos a Deus com música, dança e todos os instrumentos, mas também o fato dEle sumprir Suas promessas (inclusive aquelas de castigo contra aqueles que o merecem).

Já o segundo salmo rememora o desejo de abandonar coisas inúteis para seguir o caminho que Ele traçou para nós. Ele confia nEle para preservar sua vida em Sua justiça caso siga Sua Lei diligentemente e com amor. Se antes era o sangue de um animal que protegia as famílias de Israel, hoje é o sangue de Cristo que protege a Sua Igreja.

E o que seria essa “Lei” em termos mais simples? Paulo, em sua carta aos romanos, lembra algo dito por Cristo e afirma que boa parte das ordenanças da Lei se resumem no mandamento de “amar o próximo como a si mesmo”. Portanto, amar é cumprir a Lei. E essa é a única coisa que devemos sempre estar em dívida para com outras pessoas (não por falta de “pagamento”, mas por sempre ser insuficiente de qualquer forma).

Imagem da coleção de Philip Medhurst de ilustrações da Bíblia em posse do Reverendo Philip de Vere, Inglaterra.

Além disso, Paulo lembra de uma outra imagem da Páscoa judaica: a prontidão para partir. Ao alertar que devemos acordar e vestir a armadura de luz porque a noite está terminando, o eco à vestimenta dos hebreus na primeira Páscoa é evidente e indica que, mesmo em meio às trevas, devemos agir como quem age durante o dia: com decência e sem premeditar maneiras de satisfazer nossos próprios desejos.

No Evangelho de Mateus, Cristo exorta sobre a união necessária entre os membros da Igreja que, juntos, são protegidos pelo Seu sangue derramado na cruz. Devemos nos acertar com aqueles contra os quais pecamos e, além disso, recebemos a mesma missão de Pedro alguns capítulos antes: se estivermos reunidos em Seu nome, Ele estará em nosso meio e tudo que pedirmos, Ele nos ouvirá.

O sangue que trouxe uma nova manhã ao povo de Israel era temporário e servia para cumprir uma promessa feita aos patriarcas anteriormente. O novo e eterno sangue derramado trouxe o fim definitivo da noite e a chegada de uma manhã sem fim para todos aqueles que acreditarem nEle.

Que não nos esqueçamos que nossa jornada nesta noite que é nossa vida aqui na Terra será breve e, não apenas isso, que devemos estar preparados para seu término. Em nossa prontidão, seguimos o Caminho que Ele preparou para nós e nos protegemos debaixo de Seu sangue.

Até a próxima postagem!

Leituras:
Êxodo 12.1-14
Salmo 149
Salmo 119.33-40
Romanos 13.8-14
Mateus 18.15-20

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