Vigésimo Segundo Domingo Após o Pentecostes (A)

“Josué atravessando o Rio Jordão com a Arca da Aliança”. Pintura de Benjamin West.

“Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam.” (Mateus 23.3)

 

Nas leituras deste domingo aprendemos que Josué tinha uma dura missão pela frente: liderar o povo no lugar de Moisés durante a tomada de posse da Terra Prometida. O povo de Israel dependia muito de Moisés e, como Deus sabia disso, tratou de deixar bem claro que Josué era Seu escolhido ao utilizar um sinal grandioso diante do povo: a abertura do rio Jordão para que o povo o atravessasse em terra seca.

E o salmista reconhece isso ao louvar o Senhor não apenas por ter libertado o povo do Egito, tê-lo alimentado durante o deserto, mas também por tê-lo colocado em uma terra habitada depois de tudo isso. Deus estava com Josué assim como estava com Moisés: não por uma troca revolucionária ou algo do tipo, mas pela continuidade mesma da tradição e do cajado carregado por eles.

Paulo, em sua primeira carta aos tessalonicenses, diz que ele faz grande esforço para não se tornar um fardo para eles, mas, pelo contrário, busca agir de modo santo e irrepreensível entre eles. E faz isso não apenas exortando, mas também consolando e testemunhando sobre o poder e as obras de Deus.

Mas o interessante é o que ele diz ao final da leitura prevista para hoje: o apóstolo agradece a Deus por terem recebido a Palavra como a verdadeira Palavra de Deus que não é apenas ouvida, mas que atua efetivamente sobre todos aqueles que creem nela. Ou seja, se somos humildes e recebemos a palavra de Deus como os cristãos de Tessalônica, ela muda a nossa própria vida e não apenas nosso intelecto.

“Os israelitas cruzam o Rio Jordão”. Gravura de Gustave Doré.

Como sabemos, Paulo era fariseu. Jamais negou sua origem dentro das tradições judaicas e permaneceu sendo cristão judeu mantendo as tradições de seu povo e, ao mesmo tempo, reconhecendo Jesus como o Messias esperado. Por isso, não é de se espantar que Cristo afirme que os doutores da lei e os fariseus sentam-se na mesma cadeira de Moisés.

No Evangelho de Mateus, Jesus afirma que devemos ouvir o que eles dizem porque são partícipes da tradição mosaica tanto quanto Josué. Porém há uma pequena diferença digna de ser notada.

Deus revelou-se através de Josué realizando maravilhas. E Paulo diz que a Palavra de Deus opera mudanças em nosso próprio modo de viver e não apenas naquilo que falamos. Logo, devemos fazer o que tais mestres dizem, mas não fazer o que eles fazem: não devemos querer aparecer, mas aceitarmos humildemente a Palavra porque é ela que nos exaltará no momento devido.

Que lembremos que apenas em nossa submissão à Palavra poderemos ser exaltados por Deus. E mesmo essa elevação que nos é oferecida deve ser recebida com humildade porque não será um sinal de nossa grandeza, mas da grandeza de Nosso Senhor através de nós que, humildemente, aceitamos que Ele fizesse o que bem entendesse de nossas vidas.

Dessa forma, seremos vistos pelos outros de forma santa e, com isso, poderemos falar muito mais do poder de Deus através de ações do que apenas com nossas palavras. Esse é o milagre que Ele pode fazer com nossas vidas.

Até a próxima postagem!

Leituras:
Josué 3.7-17
Salmo 107.1-7, 33-37
1 Tessalonicenses 2.9-13
Mateus 23.1-12

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