Domingo de Cristo Rei (A)

Vitral da Catedral da Anunciação em Roslindale mostrando Cristo com as roupas de um Imperador Bizantino. Foto de John Stephen Dwyer.

“Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo.” (Mateus 25.34c)

Neste meu último sermão do atual ano litúrgico, lembramos que Cristo é Rei. Não um rei qualquer, mas o rei de todo o universo. Ele não é um presidente, não é um primeiro ministro, mas um rei e isso faz toda a diferença e, infelizmente, é algo que normalmente esquecemos constantemente quando discutimos atualmente Sua autoridade e poder.

O profeta Ezequiel compara o Senhor a um pastor que cuida bem de suas ovelhas. O que Ele faz afinal? Ele busca todas aquelas que estão dispersas em outras nações e toma conta delas junto a seu rebanho. E exatamente por se preocupar com essas ovelhas que sabem depender dEle e aceitam Seus cuidados que ele afasta delas aquelas ovelhas que são rebeldes.

E o que seriam essas ovelhas rebeldes? Não são apenas aquelas que não aceitam Sua autoridade como pastor, mas sim aquelas que em seu individualismo, pensam somente em si. E, com esse pensamento, tomam atitudes que dispersam as ovelhas para longe do Senhor.

Pintura de Hubert van Eyck.

Assim como vimos em sermões anteriores que Cristo separa o joio do trigo para que este não seja desperdiçado, assim também ele separa ovelhas violentas daquelas que aceitam Seu cuidado. Nosso Rei é amoroso e atencioso, mas também justo.

O salmista não se esquece disso e afirma com grande alegria que o Senhor é nosso Deus. Afinal de contas, Ele nos fez e somos dEle. Somos como ovelhas em seu rebanho; somos o povo de nosso Rei.

E como podemos reconhecer esse poder e autoridade de Cristo?

Pela sua ressurreição. Este evento é o ponto culminante para a fundação do Cristianismo. Sem ressurreição dos mortos não há cristianismo e a mensagem de Jesus é uma mentira, uma loucura, ou um monte de bobagens de autoajuda.

Contudo, como há mais evidências para a ressurreição de Cristo do que para sua não ocorrência, podemos dizer que é por conta dela que Cristo está acima de todo governo, de toda autoridade, de todo poder, domínio e nome que existiu, que existe e que existirá. Sendo a cabeça da igreja (que é seu corpo), nosso Rei é o Rei dos Reis porque está acima de todos os poderes do universo.

Mateus lembra em seu Evangelho do retorno de Cristo que tanto aguardamos. Sua segunda vinda será realmente o retorno de um Rei pronto a dar aos Seus aquela herança que foi prometida: o Reino de Deus. Basta que tenham servido uns aos outros como Ele nos ensinou quando se esvaziou de toda glória para viver como nós.

“Tu Rex Gloriae Christe”. Vitral na igreja de São José em Toomyvara (Irlanda) feito por William Earley.

E, assim como o bom pastor fez com as ovelhas, Ele deixará longe de Sua Cidade aqueles que se afastaram dEle e que em suas ações buscaram afastar outros desse que é o nosso destino final.

Que jamais nos esqueçamos que somos Seus súditos e não iguais a Cristo. Temos que imitá-lO, mas nunca seremos como Ele em autoridade em poder. Foi o orgulho que causou a Queda; foi o orgulho que derrubou Satanás; é o orgulho que nos afasta de Deus. Sejamos humildes em aceitar Seu cuidado; não é preciso muito para isso, apenas tudo o que temos e tudo o que somos.

Até a próxima postagem!

Leituras:
Ezequiel 34.11-16, 20-24
Salmo 100
Efésios 1.15-23
Mateus 25.31-46

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