Terra de Espinhos

Escrito por Thiago de Paula Cruz

“O primeiro luto”. Pintura de William-Adolphe Bouguereau.

Terra de Espinhos

O grande Herodes sorri
Em imensa pequenez.
Após dois milênios fez
O que seu coração quis.

Como herói é aclamado
Por sua conquista patente:
“O massacre dos inocentes
É bom, belo e esperado.”

Não há mais choro nas ruas;
As mães não mais se lamentam.
Grandes mentiras inventam
Pra não se sentirem nuas.

Gargalham em sua loucura,
Em si mesmas embriagadas,
Crendo-se empoderadas
Em sua conquista impura.

Eva, cujo nome é vida,
Lamenta junto a Adão
Ao ouvir a multidão
De vergonha esquecida.

Pois essa turba inconsciente
Pensa só em seu desejo
E se enamora num beijo
Egoísta e inconsequente.

Procurando estar impune
A massa lava suas mãos
(sem limpar seu coração)
E ao pobre inocente pune.

Tem orgasmos com a morte
Por não conhecer o amor,
Pois quem ama sente a dor
D’alma que diz ” não me aborte”.

O grande Herodes sorri…

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