As crianças e a tradição

 

“Tradição”. Trabalho em bronze no prédio Thomas Jefferson da Library of Congress feito por Olin Levi Warner.

Olá pessoal!

Minha vida tem estado extremamente corrida. Estou com várias postagens em pausa aqui para o inLudere entre traduções, alguns pequenos ensaios, poesias e contos. Contudo, não tive como não arrumar uns minutos na minha agenda para a iniciativa do meu grande amigo J. F. Souza, mais conhecido como Yoz.

Tenho a grata oportunidade de constar no rol de pessoas ilustres a postar em seu site, o Gamer Desconstrutor (e mesmo sem conseguir escrever um texto para ele há quase dois anos, vejam só!). E quando ele propôs a campanha NostalDIA das Crianças para buscar opiniões acerca de games que seriam interessantes para jogar com as novas gerações, pensei rapidamente em uma série de coisas que poderia escrever e fiz uma pequena listinha.

“Ah, porque está escrevendo em seu site sobre produção literária então e não em algum sobre games mesmo?” vocês provavelmente devem estar se perguntando. E a resposta é bastante simples.

Eu queria falar sobre tradição.

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Mortes literárias

Olá pessoal!

Talvez alguns de vocês saibam que a fundamentação básica em minhas análises e compreensões das coisas do mundo é a fenomenologia e as filosofias da existência. Em meio às reflexões oriundas do Dia de Todos os Santos e do Dia de Finados há alguns dias, pensei sobre aquilo que defendo acerca da angústia e de nossa liberdade: quando realizamos uma escolha, matamos todas as outras possibilidades que antes se mostravam para nós.

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Uma coisa leva a outra: descrição de um prelúdio

Olá pessoal!

É verdade que esse pequeno ensaio tem mais um quê de crônica já que nada mais é do que uma descrição de algo que me aconteceu. Contudo, existe alguma forma de conhecimento reflexivo não se fundamenta em alguma experiência que tenhamos? Mesmo os assuntos mais teóricos e abstratos possuem raiz em nossa experiência vivida, não é verdade?

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Superinterpretação

Olá pessoal!

Desta vez a “postagem grande da semana” (que é como apelidei aquelas que não versam sobre minhas aventuras tradutórias com a antologia de excertos do George MacDonald) será ligeiramente curta. Isso se dá porque o assunto é relevante, mas pretendo explorá-lo com maior afinco na resenha de um poema de Álvares de Azevedo que aparecerá aqui em algum momento no futuro.

Vemos muito frequentemente uma explosão de opiniões sem qualquer fundamentação acerca de obras de arte em geral e, claro, de obras de arte literárias em particular. Com o aumento do uso da internet, isso ficou ainda mais comum e corriqueiro. O “gostei” e “não gostei” são as “críticas” literárias mais comuns e embasadas somente no gosto da pessoa. Esta, claro, é uma maneira incorreta de se avaliar uma obra e de se fazer crítica literária.

Contudo, existe um outro erro que pode passar despercebido por muitos por ser o extremo oposto do anterior e muito mais comum na Academia. É o uso de teorias prévias para explicar o que uma obra quer dizer. E aqui vale o alerta de que conheço o uso acadêmico do termo “superinterpretação“, mas não estou me fiando dele, mas apenas no sentido de um uso exagerado de uma interpretação sobre qualquer coisa como deverá ficar claro mais adiante.

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Autor leitor

Olá pessoal!

Hoje a reflexão tem um argumento simples, mas acredito que seja essencial por tratar de um tema ainda relevante na crítica literária como um todo. A pergunta que faço aqui é: teria o autor alguma primazia na compreensão de sua própria obra? Esse questionamento surge pela seguinte frase muito fácil de ser ouvida: “Mas não foi isso que o autor quis dizer!“. Porém, antes devemos começar de algumas definições mais elementares antes de tentarmos responder a este questionamento.

Santo Agostinho de Hipona no Scriptorium.
Santo Agostinho de Hipona no Scriptorium.

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Alegoria e Símbolo

Olá pessoal!

Há algum tempo que venho alimentado profundo interesse por alegorias e uma das melhores leituras acerca do assunto que fiz foi o livro do C. S. Lewis chamado Alegoria do amor. Nele, antes de começar a tratar dos textos medievais que falavam do amor cortês, Lewis descreve como o amor era visto na Idade Média e, claro, o que significa alegoria. O interessante é que ele estabelece ainda uma relação entre a alegoria e o símbolo que, embora possam soar semelhantes, são muito diferentes um do outro.

Neste meu pequeno artigo quero somente comentar algumas coisas sobre as diferenças entre símbolo e alegoria justamente para tentar tornar clara a distinção entre uma e outra coisa. Afinal, vivemos em uma época alheia a alegorias, mas fanática por símbolos: podemos entender com facilidade uma, mas não compreender absolutamente nada da outra.

Temos que considerar a princípio que existem duas formas de realizar algum tipo de equivalência entre o material e o imaterial.

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