Todos os santos

Escrito por Thiago de Paula Cruz

“Dia de Todos os Santos – Sanok”. Fotografia de Silar.

Todos os santos

Acendi uma vela neste dia dos santos
Com coração contrito e a mente bem longe
Naqueles que morreram, passaram a ponte,
E agora não mais choram em seus alvos mantos.

Depositei crisântemos como coroa
Sobre a lápide fria do soldado guerreiro
Que me inspira a viver e a me dar por inteiro
Àquela voz que une, ama e ressoa.

Uma lágrima corre e para num riso;
Eu estou triste aqui por ser um peregrino,
Mas me alegro, feliz, por verem o divino!

Espero ter a honra da ressurreição
E em Tua misericórdia estar com meu irmão
Cantando eternamente num só coração!

 

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Planta

Escrito por Thiago de Paula Cruz

Foto de Böhringer Friedrich.

Planta

Após breve descanso
Sob a escura e fria
lápide da terra,
A semente deu lugar
A um fruto a brotar.

Todo o grande peso
Das pedras sobre si própria
Não foram capazes
De impedir seu crescimento
E seu eterno alimento.

Com força divina
Destruiu todo grilhão
Que prendia os seus.
Derrotou enfim a morte;
Nos deu uma nova sorte.

Amanheceu belo
Com o seu cetro dourado
Dado pelo Pai.
Podemos ter esperança
Nesta nossa breve andança.

Da vida a árvore
Foi podada no jardim
Pelos nossos pais,
Mas renasceu imponente
Com a morte da semente.

Semente

Escrito por Thiago de Paula Cruz

“Enterro de Cristo”. Pintura de Carl Heinrich Bloch.

Semente

Anos de preparo
Muito atento e cuidadoso
Foram consumados.
A semente escolhida
Poderia trazer a vida.

Através da morte
Que surge a beleza eterna
Desta primavera.
Em sua pele foi ferida
Pra criar nossa saída.

Através da sede
Que existe em cada um
Que anda na terra
Com seu sumo foi regada
Sozinha, desamparada.

Sob o sol foi posta
À vista de todo mundo
Que quisesse ver.
Ao final deste tormento
Haveria algum alento?

Depositado só;
Sob a fria terra lacrado
Pra não mais voltar?
“Em breve eu vou voltar
P’ras lágrimas enxugar.”

Dívida

Escrito por Thiago de Paula Cruz

Interior da Basílica de Santa Maria del Mar.

Dívida

Um rei que ama a seu povo
Deita sua vida por ele,
Mas sem esquecer daquele
Que não busca Seu renovo.

Não deixe o mal vencer
Em seu orgulho ferino;
Deixe de ser um menino
E o permita morrer.

Pois seu santo sacrifício
É feito por nos amar
Pra enfim nos resgatar
Da paga de nosso ofício.

Aceitar a caridade
Não é também humildade?

Do pó à vida

Escrito por Thiago de Paula Cruz

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“Quarta-feira de Cinzas” de Carl Spitzweg.

Do pó à vida

As cinzas em meu peito
Eu entrego ao Senhor,
Pois não suporto a dor
Do que tenho Lhe feito.

Meu coração defunto
Implora por seu sopro
Que a todos nós faz novo
Espiritual conjunto.

Foi preciso estar só
Diante deste Poder
Que faz vida nascer
De uma porção de pó.

E é nesta terra agreste
Que espero o lar celeste.