Quinto Domingo Após o Pentecostes (A)

“Rebecca e Eliézer”. Pintura de Bartolomé Esteban Murillo.

“Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?” (Romanos 7.24)

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Tradução: George MacDonald #46

Olá pessoal!

Esse excerto é longo, mas muito profundo em significado. A tradução exigiu de mim não apenas adequações técnicas, mas também toda uma hermenêutica daquilo que o autor quis dizer. Felizmente não precisei ler todo o sermão para entender o que ele diz aqui, mas foi necessário releituras atentas sem dúvida.

George MacDonald e escritores de sua época
George MacDonald e escritores de sua época

Nas questões técnicas, mantive o destaque dado por George MacDonald de duas palavras nas duas últimas frases retirando o itálico da citação: “É” e “nunca“.

Achei curioso o fato de todos os meus editores de texto considerarem a palavra “empíreo” como sendo grafada incorretamente. Não achei muita coisa no Google também, daí tive que puxar da memória algum lugar onde tivesse lido a palavra. E isso não foi difícil já que aparece diversas vezes na tradução em português de “Paraíso Perdido” de John Milton, um de meus poemas favoritos. Logo no início do Canto I, na descrição das ações de Satã já lemos:

“Confiado num exército tamanho,
Aspirando no Empíreo a ter assento
De seus iguais acima, destinara
Ombrear com Deus, se Deus se lhe opusesse,
E com tal ambição, com tal insânia,
Do Onipotente contra o Império e trono
Fez audaz e ímpio guerra, deu batalhas.”

E o sentido da palavra fica claro também: refere-se ao “lugar mais alto“, aos Céus, ao Paraíso Celeste do qual, neste poema, Satanás caiu ao rebelar-se contra Deus.

Uma última coisa que gostaria de comentar é sobre um trecho que me deu algum trabalho adicional. Quando MacDonald fala de “Cabeça“, ele se refere a Cristo como a cabeça de seu corpo, a Igreja. É uma referência clara à imagem que Paulo utiliza em Efésios 5.23 e em outros momentos. Com isso, toda a analogia fica clara.

46 – Para cima rumo ao Centro

“‘Mas como’, diz um homem que quer reconhecer a irmandade universal, mas encontra-se incapaz de cumprir a mera lei voltada à mulher que ele melhor ama, ‘como então me dirigirei àquela região mais alta, àquele empíreo do amor?’ E, começando imediatamente a tentar amar seu próximo, ele descobre que o empíreo do qual falou não é para ser atingido em si mesmo mais do que a lei era para ser alcançada em si mesma. Assim como ele não pode manter a lei sem primeiro dirigir-se ao amor de seu próximo, também não pode amar seu próximo sem primeiro dirigir-se ainda ao mais alto. O sistema inteiro do universo funciona sobre essa lei – o rumar de coisas para cima rumo ao centro. O homem que amará seu próximo pode fazê-lo pelo não imediato exercício operante da vontade. É o homem realizado do Deus de quem ele veio e por quem ele existe que sozinho pode como a si mesmo amar seu próximo que veio de Deus também e existe por Deus também. O mistério da individualidade e consequente relação é profunda como os princípios da humanidade e as questões que daí surgem podem ser solucionadas apenas por aquele que tem, ao menos praticamente, solucionado as sagradas necessidades resultantes de sua origem. Apenas em Deus pode um homem encontrar um homem. Apenas nEle as linhas convergentes da existência se tocam e não se cruzam. Quando a mente de Cristo, a vida da Cabeça, passa através daquele átomo que o homem é do corpo que revivifica lentamente, quando ele está vivo também, então o amor dos irmãos existe como vida consciente. (…) É possível amar nosso próximo como a nós mesmos. Nosso Senhor nunca falou hiperbolicamente.”

(George MacDonald – Unspoken Sermons – Love Thy Neighbour)